A Vida de Ursula Fuchs

Estamos casados há 39 anos. Tivemos quatro filhos. Já moramos em muitas cidades no Brasil e por duas vezes em Angola como missionários. Da primeira vez que moramos em Angola, os quatro eram pequenos. A filha mais velha tinha dez anos e o caçula quatro. Foi um período difícil, pois Angola ainda estava em guerra civil, não se podia viajar por terra pelo perigo de ataques e de minas. Às cidades do interior só se tinha acesso de avião. A comida, assim como qualquer outra coisa, era escassa. Já tinham nos avisado para trazermos tudo junto. E quando perguntei o que era tudo, responderam que tudo é tudo mesmo. Da casa ao grampo de roupa. Fizemos uma grande campanha entre diversas igrejas no Brasil e conseguimos comprar uma casa pré-fabricada, alem de doações de móveis, eletrodomésticos e alimentos não perecíveis. Para ter uma ideia, nem papel higiênico existia pra comprar.
Como o país estava sob um regime comunista, só podíamos fazer compras no mercado onde éramos cadastrados – a loja dos cooperantes estrangeiros – e ter a cota mensal definida por eles. Como tínhamos cartão de estrangeiros, teoricamente deveríamos ter mais alimentos. Mas não era assim. Nossa cota variava todo mês, mas no geral tinha: 1 pacote de macarrão, 1 kg de açúcar, às vezes 1 kg de farinha, 2 kg de arroz, 1 kg de sal bem grosso (precisava se moído em casa), 1 lata de óleo e uma barra de sabão muito simples.
Levamos muitas roupas usadas, e elas serviram para trocar por alimentos, como galinhas, ovos e verduras, que eram trazidos em casa e negociados ali mesmo no portão: quanto vale uma galinha (viva)? Em torno de uma saia ou duas a três blusas. Nunca passamos fome, só vontade de comer uma coisa diferente. Mas aí lembramos que no Brasil, onde existe um mercado em cada bairro cheio de variedades, pessoas passam fome. Onde estávamos não adiantava ter o dinheiro na mão, pois não tinha muito o que comprar.
Fizemos amizade com outros missionários, e aí podíamos fazer algumas trocas melhores. Um deles tinha recebido um container de sapatos usados e nos deixou escolher o que precisávamos. Quando alguém viajava ao país vizinho, a Namíbia, encomendávamos coca-cola, queijo e fermento; era dia de festa. Conhecemos diversos médicos que nos atendiam quando era necessário. Num país com dificuldades, um ajuda o outro sem pedir nada em troca. Sempre tive medo que alguma coisa ruim poderia acontecer aos filhos que ainda eram pequenos. Mas Deus nos protegeu e nunca tiveram nada de grave.
Ficamos lá dois anos. Como família, foi muito bom aprendemos a conviver sem televisão, sem exigir roupa de grifes. Além disso, eles aprendera a falar inglês só de brincar com os filhos dos missionários canadenses.
Hoje cada um está se virando. A mais velha, Susanne, está na Inglaterra, casada com Douglas, com dois filhos: Douglas Filipe (15) e Sara (10). Christoph, o mais velho dos meninos, trabalha nos USA. Samuel (nosso filho de adotivo, desde recém-nascido) joga vôlei, vocês talvez já o viram na TV, no tempo em que estava na seleção. Agora não joga mais na seleção Brasileira, depois de uma cirurgia no ombro, nunca se recuperou bem.
Andreas, o caçula, fez um ano de intercâmbio nos USA, e depois ficou morando em Londrina, onde nós fomos morar em 2000. Em 2007 ele estava no último ano da UEL, era um dos melhores alunos na faculdade de Administração, trabalhava na Sandoz Novartis, liderava o grupo de jovens na igreja, tocava piano na equipe de louvor, estava noivo há cinco dias e se preparava para casar fim do ano.
E aí veio o grande susto. Estávamos em Angola, Hans e eu, e recebemos um telefonema às 4h da manhã em que um amigo nos avisou que o Andreas tinha sofrido um acidente de moto. Ele tinha saído da Sandoz no fim do expediente às 18h. Estava chuviscando, e ele chegou a entrar no ônibus dos funcionários, mas como achou que precisava da moto mais tarde, resolveu ir com ela. Apenas algumas centenas de metros adiante, numa descida, um caminhão em alta velocidade o atropelou por trás. Ele morreu na hora. Foi no dia 26-04-2007, uma quinta-feira; ele estava com 21 anos.
Perdemos o chão. Muitas perguntas: Por que ele, por que agora? Será que Deus não estava cuidando dele? Será que Deus tirou um cochilo? E muitas outras.
Levou 51 horas até que chegamos a Londrina. A Sandoz nos deu o maior apoio possível, com passagens e despesas de enterro. Embalsamaram o corpo para dar tempo de chegarmos. Susanne veio de Portugal, onde morava com a família, e Chris da Alemanha, onde estudava na época. Samuel estava em BH. O jogo final na superliga era no sábado, e ele resolveu jogar mesmo com dor e luto pelo irmão (eles eram muito achegados). Acabaram vencendo o jogo e ele dedicou o título ao irmão.
Deus nos carregou neste tempo tão difícil. Nunca imaginei passar por isso. Pensei que, com os filhos criados, o perigo já estava longe, e nada mais poderia acontecer.
Muitas coisas ficaram marcadas da vida do Andreas. O sorriso, a simpatia, a simplicidade, e a disposição de ajudar as pessoas.
Na Sandoz, um dia antes do acidente, seu chefe lhe perguntou como sempre podia ser tão feliz, tranquilo, mesmo sendo tão novo, sempre acalmando o ambiente estressado no departamento de marketing. Andreas respondeu: “Eu não preciso das coisas de que você precisa pra ser feliz, tenho Jesus e com ele sou completo, se ele me chamar amanhã estou pronto para ir pro céu.” Isso o próprio chefe nos contou. E assim foi mesmo. No dia seguinte ele estava no céu com Jesus.
Algumas semanas antes ele teve um sonho, que não quis contar à noiva, só contou a um amigo. Ela ficou sabendo e, depois de muito insistir, ele contou que se via entrar na igreja, parecia o dia do casamento, e tudo estava muito lindo e iluminado, brilhando muito. Mas entrava sozinho, sem ela. E quando olhou pra trás viu muitas pessoas desconhecidas vindo atrás dele. Com certeza Deus lhe mostrou sua entrada no céu. Talvez ele nem entendeu o sonho. Mas quando escutei isso da noiva, entendi que Deus tinha o avisado da próxima etapa. Não foi um descuido de Deus, foi programado.
Depois de muito falar com Deus, chorar, ler livros, conversar com outras mães que perderam seus filhos, vi que este era o dia do Andreas partir, ele já estava pronto. Demorou, mas com o tempo vi que eu podia me sentir feliz por ter sido mãe de um rapaz tão especial por 21 anos.
Andreas também sempre dizia que queria cuidar de nós. Poderíamos continuar o trabalho missionário em Angola porque ele seria um empresário bem sucedido e não precisaríamos nos preocupar com o futuro. Até nisso Deus realizou seu desejo. Nem sabíamos, mas a empresa pagava um seguro de vida para ele, do qual nós éramos beneficiários. Esse dinheiro demos de lance no consórcio que estávamos pagando, e hoje temos um apartamento para morar quando nos aposentarmos.
É bom poder olhar pra trás e ver quantos momentos lindos passamos juntos, e quantas alegrias ele nos trouxe. A saudade sempre vai ficar, é um pedaço nosso que se foi. Este ano vão ser 10 anos sem o Andreas.
Um dos livros que lemos foi Um fio de esperança. Nele uma mãe conta como perdeu dois filhos ainda pequenos. No final a autora faz um estudo sobre Jó. Em cada capítulo eu aprendia mais uma lição. Hans e eu líamos o livro juntos e chorávamos todas as vezes. Era como trocar o curativo de um ferida. Na hora era muito doloroso, mas depois ficava um pouquinho melhor.
Também aprendi que tenho duas escolhas pra continuar a vida. Uma é ficar em eterno luto. Tenho todo o direito, quem já perdeu um filho sabe do que estou falando. A outra escolha é a da gratidão. Em vez de chorar, posso agradecer por cada lembrança linda e engraçada que tivemos. Saber que Deus é perfeito que ele escolheu levar Andreas no momento perfeito.
Para ele a vida agora é só alegria e festa, ao lado de Jesus, com Deus Pai. Para nós é uma mistura de dor e saudade. Olhando para trás, podemos ficar felizes pois Andreas viveu para Deus e mereceu o prêmio máximo da felicidade. Para nós foi muito cedo. Como saber o tempo ideal? Qual é a hora certa? Com certeza, aquela que nosso pai celestial programou para nós.
Eu continuo não entendendo o tempo e os projetos de Deus, mas sei que posso confiar, pois até agora ele me sustentou.
Para nós faltaram os sonhos serem realizados, para Deus o que tinha de ser feito foi feito.
Impossível esquecer o sorriso lindo do Andreas, a alegria de viver. As palavras que vinham na hora certa.
Fica o desafio! O que podemos aprender com a experiência da dor?
Aprendemos o psicólogo Catito, casado com nossa prima, que a morte é um dos vários eventos de passagem que experimentamos na vida. Ela pode ser comparada ao nascimento: dentro da barriga da mãe é muito bom, o parto dá medo do desconhecido e é sofrimento para o bebê, que fica com todos os membros desconjuntados, mas nenhum de nós quer voltar para a barriga da mãe depois de nascer. Assim a morte dá medo e envolve sofrimento, mas ninguém quer voltar do céu, onde somos recebidos por Jesus e pelos que foram antes de nós. Para nós que também “morremos” com a morte do nosso querido Andreas, a “ressurreição” está na comunhão com pessoas queridas. Por isso é importante alternar momentos de recolhimento para curtir a dor com momentos junto com pessoas que nos amam e nos apoiam. É importante nesse processo poder falar e contar para outros o que aconteceu.
Usando as palavras do apóstolo Paulo, o corpo físico era a “habitação temporária terrena” do Andreas, que ele trocou pela “habitação celestial”. Vejam o texto todo (2Coríntios 5.1-10):
De fato, nós sabemos que, quando for destruída esta barraca em que vivemos, que é o nosso corpo aqui na terra, Deus nos dará, para morarmos nela, uma casa no céu. Essa casa não foi feita por mãos humanas; foi Deus quem a fez, e ela durará para sempre. Por isso gememos enquanto vivemos nesta casa de agora, pois gostaríamos de nos mudarmos já para a nossa nova casa no céu. Aquela casa será o nosso corpo celestial, e, quando nos vestirmos com ele, não ficaremos sem corpo. Gememos aflitos enquanto vivemos nesta barraca, que é o nosso corpo. Isso não é porque queiramos ficar livres do nosso corpo terreno; o que desejamos é receber o corpo celestial para que a vida faça com que o que é mortal desapareça. E foi Deus quem nos preparou para essa mudança e nos deu o seu Espírito como garantia de tudo o que ele tem para nos dar.
Estamos sempre muito animados, pois sabemos que, enquanto vivemos neste corpo, estamos longe do lar do Senhor. Porque vivemos pela fé e não pelo que vemos. Estamos muito animados e gostaríamos de deixar de viver neste corpo para irmos viver com o Senhor. Porém, acima de tudo, o que nós queremos é agradar o Senhor, seja vivendo no nosso corpo aqui, seja vivendo lá com o Senhor. Porque todos nós temos de nos apresentar diante de Cristo para sermos julgados por ele. E cada um vai receber o que merece, de acordo com o que fez de bom ou de mau na sua vida aqui na terra.
Hoje depois de quase dez anos, posso olhar pra trás e dizer que Deus nos sustentou de maneira incrível. Somos diferentes hoje. Sabemos o que é dor, perda e sofrimento. Até o casamento que já era bom, melhorou mais ainda. Você sabe o que de fato importa, e não faz brigas por coisinhas.
Hoje moramos na África do Sul, cuidamos de vários missionários da África Sub-Saariana. Acompanhamos os projetos, respondemos cartas e fazemos visitas periódicas a eles.
Ursula Fuchs, casada com Hans Udo Fuchs

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A História da Julia

“O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Esse é o primeiro versículo do Salmo 23. Que Salmo tremendo, que palavra poderosa! Foi essa palavra que Deus colocou em meu coração logo no início da minha gestação.

Que consolo saber que o Bom Pastor estaria comigo nessa fase tão sublime da vida de uma mulher!

Absorvi cada versículo e já tinha até escolhido o tema do quarto da minha filha (Júlia): Ovelhinha.

Aquilo que eu achava que seria uma palavra de encorajamento se tornou mais tarde uma âncora para a minha vida. Deus realmente não me deixaria faltar nada e ele também estaria comigo no vale da sombra e da morte me protegendo e me consolando.

Quando completei 25 semanas de gestação, fui ao pronto socorro com sintomas de sinusite. Na verdade eu nem teria ido, não fosse a insistência do meu marido. Mas, chegando lá os médicos detectaram uma pressão arterial altíssima (17×13) e o inicio de uma pré eclâmpsia.

Cinco dias após minha internação, uma transferência de hospital, idas e vindas da UTI recebi a notícia mais difícil da minha vida: minha filha havia entrado em sofrimento fetal e seria necessária a antecipação do parto.

Perguntei aos médicos a chance de sobrevivência, eles disseram que mínima por conta da extrema prematuridade. Quando a médica se retirou, eu orei com toda fé. Disse a Deus que eu sabia que ele poderia permitir que minha filha sobrevivesse, afinal, ele era o dono da vida. Mas, Deus confirmou ao meu coração que a levaria. Entrei no banheiro da sala de pré parto, e com todo carinho me despedi da minha bonequinha. Dando carinho na minha barriga, disse a ela o quanto ela era amada. O quanto eu e o papai estávamos felizes em poder estar com ela durante aquele curto período e que o que a aguardava agora seria o céu: ruas de ouro, rio de cristal, Jesus e todos os protagonistas das histórias bíblicas que nós liamos para ela todos os dias e ela me respondeu mexendo no meu ventre como nunca antes.

Ela nasceu viva, ouvi seu chorinho (o mais lindo louvor ao Senhor!) que durou pouco, só dez minutinhos. Vi seu rostinho e tive paz sabendo que a separação seria breve. Durante o parto tive complicações seríssimas, e perdi também meu útero. Por pouco não perdi a vida.

Entre o primeiro dia de internação e e a alta foram 19 dias. E eu que achava que esse havia sido o período mais difícil da minha vida não sabia o que me aguardava a seguir. Passar por duas perdas tão grandes ( minha filha e a possibilidade de ser mãe) gerou grandes conflitos em meu coração. Foi um processo de luto longo e dolorido. Muitas vezes não compreendi as decisões de Deus e as questionei. Muitas vezes não tive forças para orar. Muitas vezes pensei em desistir. Mas a promessa de Deus, aquela que ele fez no início da minha gestação se cumpriu: ele esteve comigo todos os dias (mesmo naqueles em que eu não quis falar com ele), me consolando, me animando, não permitindo que nada me falte.

Deus tem me ensinado que não preciso ter todas as respostas e que jamais a nossa mente humana tão limitada conseguiria compreender os planos dele para a minha vida. E tudo bem ser assim! Eu não preciso entender, só preciso crer que Ele é! Que Ele é amor, bondade, justiça, fidelidade. Crer que seus planos são de paz, seu amor é sem limites, que ele é nosso pai, sua bondade é mais alta que as nuvens, seu governo firme, constante e bom.

Foi longa a caminhada até que eu pudesse compreender isso, confesso. Mas hoje, posso te garantir: não importa o tamanho da sua dor, decepção, tristeza, luto. Existe o Bom Pastor, a caminhada é longa, mas aprendemos na prática que ele nos basta. Por que tendo ele, nada nos falta.”

Aninha Oliveira

Vivendo com Modéstia

Jesus nos dá dignidade, nos fêz femininas, nos deu valor!
Quando não cuidamos do que somos, como andamos, nos portamos, como nos vestimos, falamos, agimos, olhamos…
Perdemos a dignidade, a feminilidade, o valor, a posição tão linda que Jesus nos colocou, e nos igualamos ao mundo.
O mundo desvaloriza a mulher, quer faze-la sexy e não feminina, quer faze-la masculinizada. Mente ao colocar seu valor nas coisas matérias, mente ao dizer que ser vulgar e ter valor, mente ao rebaixa-la da posição de honra que Deus a colocou, perdendo sua dignidade….Sem a Dignidade e Santidade que Deus nos pede,a mulher se perde, se frusta, sofre e chora.
Se torna comum, e não especial. Se torna igual…igual ao mundo, igual a todo mundo.
Quer ser diferente, mas sem Jesus, e sem viver com Ele isso é impossivel.
Porque é Ele, e foi Ele quem nos fez diferente, especial e Unica…
Tudo que toda mulher quer ser.
Nosso valor está em Jesus…nosso padrão é estabelecido por Ele.
Mulher…que lindo Deus nos fazer mulher.
Caminhar com Ele nos fará brilhar sempre…Brilhar a Sua luz em nossa vida, e esse brilho com o passar dos anos não muda.
Esse brilho se torna mais intenso a medida que caminhamos com Ele…louve, agradece a Deus porque Ele sim, cuida de nós, e nos ama com amor sem limites!, nos fêz e faz de nossos dias especiais, tornando nele nossos sonhos possíveis!